Programa

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SEX. 20 FEVEREIRO / 21h30 / Pequeno Auditório da Culturgest

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VICENTE & MARJAMAKI

Luís Vicente – trompete, fliscorne / Jari Marjamaki – electrónicas

“Alternate Translations”, álbum lançado online em 2013 pela netlabel nacional Mimi Records, é, seguramente, dos mais bem guardados segredos da produção nacional dos últimos anos. Unindo a trompete de LUÍS VICENTE, músico que tem vindo, paulatinamente, a mostrar um timbre distintivo por entre a extrema versatilidade dos seus múltiplos projectos (a improvisação conduzida dos Open Mind Ensemble, o free jazz do quarteto Clocks & Clouds, a livre improvisação não-idiomática do quinteto Fail Better! ou a abordagem mediterrânica do trio que lidera), aos dispositivos electrónicos de JARI MARJAMAKI, músico e DJ finlandês com residência de há largos anos em Lisboa, “Alternate Translations”, composto inteiramente por gravações de concertos deste duo, é um objecto de quase-perfeição rarefeita, prenhe de uma noção de espaço e movimento notáveis, inspirador de uma dança quieta e fortemente melancólica.

A palete sonora e construção rítmicas de Marjamaki revelam um labor e um cuidado que, curiosamente, tanto evoca as explorações orientadas para o cosmos de Jeff Mills como traz de volta à terra a luminosidade esconsa do notável trabalho do norte-americano Mark Nelson (quer nos Labradford quer nos sucessores Pan-American), enquanto o sopro de Luís Vicente empresta a esta música uma dimensão profundamente humana, lírica, que a espaços evoca vozes lendárias como as de Jon Hassell, Bill Dixon ou mesmo Don Cherry. Trata-se, reforçamos, de alguma da mais bela e inclassificável música da actualidade.  + info

 

NOVA ORQUESTRA FUTURISTA DO PORTO

Jack Legs: voz, guitarra / Jack Straw: guitarra / Jack Suave: bateria

‘The Fine Art of Bleeding’, disco de estreia dos The Jack Shits, condensa na perfeição o carácter fervoroso desta reunião de três figuras de topo do ‘garage-rock’ nacional: Diogo Augusto e Samuel Silva, dos Sonic Reverends e Los Saguaros, e Nick Nicotine, escritor de canções e músico ímpar que leva consigo, habitualmente, toda uma orquestra (falamos da formidável Nicotine’s Orchestra). Um encontro, assim, de dois eixos (Marinha Grande e Barreiro) que têm concentrado em si muitas das movimentações recentes de urgência rock no país, e que aqui erigem um monumento eléctrico, suado, imediato e cru, assente numa formação cuja instrumentação precisa e enérgica consubstancia a essência do power-trio: guitarras no vermelho, suor nas peles da bateria e grão indomável na voz. + info


 
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SAB. 21 FEVEREIRO / 21h30 / Pequeno Auditório da Culturgest

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COCLEA

Nuno Rebelo: guitarra eléctrica e objectos amplificados

Com a recente edição de ‘Removed from the flow of time – guitar solos 1992-2012’, pela portuguesa Creative Sources, Nuno Rebelo mostra, uma vez mais, o seu lugar inquestionável no panteão dos melhores improvisadores nacionais. Pioneiro em tantas das vanguardas criadas, quase de raiz, na década de 80 (com referência inevitável para os icónicos Mler If Dada, cujo regresso aos palcos se saúda), e criador pluridisciplinar, sobretudo a partir da década seguinte, com composições para teatro, dança, e instalações (é seu o tema oficial da Expo 98, ‘Pangaea’) é nos seus invulgares recursos técnicos e criativos ao leme da guitarra eléctrica que o seu percurso a solo tem assentado; tal como também as suas colaborações com nomes como Jim Black, Barre Philips ou Mats Gustafsson revelam, o som de Nuno Rebelo faz-se em permanente mutação, com uma inventividade, expressividade e pluralidade de abordagens que continuam a estabelecer improváveis pontes entre a dinâmica do rock e a abstracção de uma linguagem improvisada que permanentemente se cria e recria a si própria. + info

LULA PENA

Rodrigo Pinheiro: piano / Thomas Lehn: sintetizadores analógicos

O pianista Rodrigo Pinheiro é, por via dos RED Trio, formação que partilha com o percussionista Gabriel Ferrandini e com o contrabaixista Hernâni Faustino, dos mais destacados nomes do jazz nacional da actualidade. Para além das formações que mantém em paralelo com outros destacados músicos nacionais, como Marco Franco ou Carlos Zíngaro, com o qual estudou, colaborou já, ainda no seio dos RED Trio, com nomes cimeiros do jazz mundial como John Butcher e Nate Wooley, em contextos de livre improvisação que abriram caminho a esta colaboração, a acontecer pela primeira vez, com outro dos mais celebrados músicos europeus, o também pianista de formação Thomas Lehn. Músico alemão, com um currículo recheado de colaborações impressionantes com nomes como Eugene Chadbourne, Paul Lovens, Phil Minton ou Axel Dörner, Lehn tem um percurso de grande singularidade nas férteis intersecções entre o jazz mais livre e a música clássica contemporânea de pendor vanguardista, bem como um meritório trabalho de investigação no espectro da música electrónica, em particular através da exploração de sintetizadores analógicos, como os seus encontros com outros dos grandes transfiguradores de instrumentos do passado século, como Keith Rowe ou Toshimaru Nakamura, podem atestar.
Espera-nos, portanto, um encontro entre dois músicos que, pertencendo a diferentes gerações e escolas, representam hoje por hoje o melhor de um período da música criativa europeia cuja riqueza em colaborações e intersecções se aproxima, em novidade e relevância, da explosiva década de 1960 – como o futuro se encarregará de comprovar. + info

 

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QUI. 26 FEVEREIRO / 22h00 / ZDB (GALERIA ZÉ DOS BOIS)

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GESSO

“QUANDO O SÚBDITO NEGA A FIDELIDADE E O FUNCIONÁRIO RENUNCIA AO CARGO, A REVOLUÇÃO ESTÁ COMPLETA”

Tiago Sousa : piano, harmónio e órgão / Maria Leite: declamação

Não é segredo que a música do pianista e compositor barreirense Tiago Sousa é rica em referências humanistas, plena de apelos à emancipação individual e política, e de um retorno à arte enquanto paradigma da superação. Álbuns como ‘The western lands’, ‘Walden Pond’s Monk’ ou ‘Samsara’ referenciam e reivindicam a influência explícita de autores como H. Thoreau, W. Burroughs, G. Debord ou Lao Tse, num fio conceptual sólido que perpassa um corpus musical exemplar e em constante evolução.
Para esta edição do Rescaldo, o piano, harmónio e órgão de Tiago Sousa far-se-ão acompanhar da diseuse Maria Leite, para, através de uma revisitação do seu reportório (editado e por editar), dar lugar à palavra dita e mostrar, numa opção rara, as ideias por trás da sua música, trazendo-as para o seu seio, tornando a sua verbalização efectivamente parte dela. Uma ocasião, naturalmente, imperdível. + info

 

CAVEIRA

Eduardo Raon: harpa, electrónicas / Tomaž Grom: contrabaixo, electrónicas

Das vozes mais singulares e activas na música contemporânea em Portugal, de Eduardo Raon podemos sempre esperar uma constante procura por novas formas do dizer; membro dos Bypass e dos Powertrio (com Joana Sá e Luís José Martins), colaborador frequente de Maria João e Mário Laginha, compositor, intérprete e improvisador, reside actualmente entre Portugal e Ljubliana, capital da Eslovénia, compondo regularmente para cinema, animação, teatro e instalações.
‘On the drive for impulsive actions’, o seu mais recente lançamento na Shhpuma, é a base da sua apresentação no Rescaldo – nesta peça, em estreia ao vivo, Raon utilizará o seu instrumento de eleição, a harpa, sujeita a pontual processamento electrónico, situando-o numa linhagem de nomes contemporâneos que a partir deste instrumento de conotação clássica (como Rhodri Davies ou Zeena Parkins) procuram redefinir expectativas e capacidades sónicas. A peça, para a qual se fará acompanhar do contrabaixista e compositor esloveno Tomaž Grom, integra referências, como o seu nome indica, a acções impulsivas – gestos involuntários, actuações irreflectidas, atitudes imponderadas e ruídos orais pouco conscientes, num jogo performativo entre som e imagem, composição e improvisação. + info

 
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SEX. 27 FEVEREIRO / 21h30 / Pequeno Auditório da Culturgest

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CON CON + JOANA GUERRA

Simão Costa: piano, altifalantes transdutores e parafernália

O trabalho a solo de Simão Costa constitui-se, acima de tudo, como uma investigação dos limites sónicos do instrumento clássico por excelência, o piano. Através da sua manipulação extensiva e exaustiva, complementada pelo recurso a altifalantes transdutores, a um laptop e à mais diversa parafernália, o músico lisboeta opera uma completa transfiguração das suas propriedades – quer sejam timbrais ou dinâmicas – e das suas potencialidades. Com uma sólida formação clássica, Simão Costa desenvolve um trabalho que se estende a projectos de cariz transdisciplinar e interdisciplinar envolvendo música, vídeo, fotografia, dança, cinema, teatro e novo circo. Privilegiando o interface e cruzamento entre ciência, arte e tecnologia, o seu espectáculo no Rescaldo, que prefigura um novo trabalho a editar pela Shhpuma Records, será, assim, mais do que um concerto, uma pequena totalidade performativa na qual conceitos como o de instalação, ‘soundart’, performance e arte visual se confundem e interpenetram, engendrando um novo quadro de referências e classificações. + info

 

LA LA LA RESSONANCE

César Rodrigues + David Arantes: Sintetizadores, pedais, rádios

Os Sturqen são David Arantes e César Rodrigues, dois estetas sonoros que, a partir da sua base no Porto, têm vindo a construir uma sólida base de edições discográficas em ligação íntima com a editora ucraniana Kvitnu (a qual ajudaram, de forma inequívoca, a vencer o prémio de melhor editora nos Qwartz Electronic Music Awards, em 2011). Com um campo sonoro invulgarmente delineado e coerente – uma exploração electrónica do potencial de inquietação da sua maquinaria, uma claustrofobia paradoxalmente dançável e libertadora, reveladora de incontáveis matizes de cinza – trazem ao Rescaldo um capítulo particularmente ambicioso deste percurso em ascensão: a manipulação, em tempo real, de mensagens rádio aparentemente obsoletas, de conteúdo militar e cuja existência se estende desde, pelo menos, a 1ª Guerra Mundial, transmitidas pelas denominadas Number Stations. Captadas pelos próprios músicos, e perdido o seu significado e relevância originais, aos Sturquen caberá a sua revitalização e transmutação em discurso estético. + info

 

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SAB. 28 FEVEREIRO / 21h30 / Pequeno Auditório da Culturgest

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LUIS FERNANDES & JOANA GAMA (QUEST)

Nuno Aroso : percussão

Percussionista e compositor, o portuense Nuno Aroso tem vindo, de forma discreta mas sólida, a desenvolver um riquíssimo e robusto percurso pelos campos da criação contemporânea; director do departamento de Percussão da Universidade do Minho, membro dos Drumming e colaborador da Remix Ensemble, e intérprete com uma extensa lista de edições discográficas, com reportório gravado e escrito propositadamente para si de compositores como Peter Klatzow, Oscar Bianchi ou João Pedro Oliveira, entre tantos outros, mostra ainda uma vontade de experimentar cruzamentos improváveis – como atesta a sua recente incursão no mundo da pop com Rita Redshoes, por exemplo. É no âmbito do enriquecimento do conceito do espectáculo ao vivo, enquanto experiência completa e multidisciplinar, com ênfase nos aspectos cénicos inerentes à performance em percussão, que apresenta este ‘Asperes’ no Rescaldo. Fazendo uso de uma vasta palete sonora, que extravasa, em muito, o que comummente se pode esperar de um solo de percussão, Aroso desenvolve, através dos mais variados recursos, e fazendo uso de matérias sonoras não convencionais, como pedras, metais ou barros, microclimas sónicos nos quais, mais do que uma sucessão de instrumentos e técnicas, a narrativa desempenha um papel essencial. + info

 

SUMBU DUNIA

Peixe: guitarras

Elevado ao estatuto de figura incontornável da música moderna portuguesa, enquanto fundador dos Ornatos Violeta e dos tão excelentes quanto fugazes Pluto, Pedro Cardoso (Peixe) é, hoje em dia, um guitarrista que procura trilhar um novo rumo e descobrir novas paisagens. ‘Apneia’, o seu disco de estreia com data de 2012, é uma maravilhosa promessa de lirismo, delicadeza e filigrana, feito de uma introspecção que prefere os grandes espaços áridos evocados por Ry Cooder ou Marc Ribot, por exemplo (a sua aparição ao vivo com os Dead Combo, por exemplo, ilustra na perfeição essa linhagem), mas que não se furta a um frente a frente (sobretudo quando se trata da guitarra eléctrica) com a intimidade despida de uma figura marcante como Loren Connors. Entre o jazz, a improvisação, e os sempre presentes blues, a música de Peixe constitui dos mais belos itinerários do presente. + info

 

ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL “ESTILHAÇOS”

José Gomes: voz/guitarra / Joni Dores: bateria / Diogo Lopes: baixo

Representantes de uma geração que tem feito da cidade de Barcelos o epicentro inequívoco das mais interessantes convulsões rock do novo milénio, os Killimanjaro são, desse grupo mais ou menos heterogéneo, os que mais se aproximam de uma certa sonoridade cuja génese ocorreu na década de 1990 num local tão distante como Palm Springs, Califórnia. Falamos, é claro, dos Kyuss e do, por si cunhado, desert-rock, género que continua, ainda hoje, a fazer escola e a abrir horizontes sobre as possibilidades que se abrem a uma formação clássica de guitarra, baixo, bateria e voz, como é a dos Killimanjaro. Nesta noite de encerramento do Rescaldo, é precisamente com riffs encorpados, uma secção rítmica de movimento impiedoso e uma voz que evoca as ‘tumbleweeds’ do deserto americano, que prometemos a celebração. + info

 

 

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Bilhetes dia : 6€

Culturgest – 4 bilhetes = 40% desconto

ZDB  = 5€

 

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+ informações : www.culturgest.pt / www.zedosbois.org / www.facebook.com/rescaldo

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