VITOR RUA & THE METAPHYSICAL ANGELS

Depois de uma sequência de discos nos quais a guitarra se constituía como elemento exclusivo, meditativo e mediador na forma como moldava o silêncio e a ausência (conferir o belíssimo “Heavy Mental”, por exemplo), Vítor Rua regressou no final de 2017 com um álbum duplo cujo título desvenda desde logo o novo rumo tomado (“Do androids dream of Electric Guitars?”). A guitarra é, novamente, a voz principal, quer nas versões solo quer nas interpretações do grupo que constituiu para o acompanhar (Hernâni Faustino no baixo, Paulo Galão nos clarinetes, Nuno Reis na trompete, Luís San Payo na bateria e Manuel Guimarães no piano – os Metaphysical Angels) e que subirá ao palco na garagem da Culturgest,  mas a este quasi-maximalismo de meios não corresponde necessariamente uma música de sobreposições ou de volumes exacerbados, antes uma circularidade de movimentos aparentados dos vários jazzes – com curiosas reminiscências de um certo som de Chicago na década de 90 que ajudou a cunhar uma das linhagens do que veio a chamar-se post-rock – precisamente aquela que unia a escola jazzística com as várias linguagens da improvisação não-idiomática e da composição contemporânea. Uma surpresa, vinda de um músico que constatemente se reinventa.

Vitor Rua – guitarras
Nuno Reis – Trompete
Paulo Galão – clarinetes
Hernâni Faustino – contrabaixo
Manuel Guimarães – teclados
Luís San Payo – bateria

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+ info: facebook / Do Androids Dream Of Electric Guitars





Foto 2 © João Rebelo (Música em DX)