CLOTHILDE

Desde o lançamento de ‘Twitcher’, em 2018, que Clothilde, alias da colorista, desenhadora e muitas outras coisas Sofia Mestre, se tem fulgurantemente afirmado como arquiteta de algumas das mais belas aventuras sonoras criadas neste retângulo em muitos, muitos anos.
Uma relativa retardatária nestas coisas da música, a que chegou por via da exploração das bases eletrónicas modulares de construção caseira do lisboeta HOBO, o trabalho de Sofia Mestre traz consigo, muito para além da herança de figuras históricas e tutelares como Maryanne Amacher ou Eliane Radigue, uma bagagem profundamente pessoal e emocional difícil de encontrar por entre a plêiade de músicos que hoje em dia protagonizam a autêntica explosão de sintetizadores modulares que temos visto um pouco por toda a parte; há uma clareza, fluidez e elegância notáveis na forma como estrutura e erige as suas composições eletrónicas que nos suga inapelavelmente para uma escuta intensa, transformadora, mas exigente – como tudo o que realmente importa.
Após dois anos imersa na criação de bandas-sonoras para teatro e cinema (entre as quais ‘Os princípios do novo homem’, editada em 2020 pela Holuzam), traz ao Rescaldo uma atuação que problematiza o próprio tempo enquanto protagonista de uma banda sonora imaginária – para um filme que cada um de nós ajudará a criar enquanto ouvinte.

Sofia Mestre – sintetizadores modulares


02 MARÇO – DAMAS – 23H



© Foto por Sofia Mestre